terça-feira, 11 de dezembro de 2012

OUTSOURCING ESTRATÉGICO



1.      Introdução

O presente trabalho se insere no âmbito das lições de Planificação e Gestão Estratégica, É um processo complexo que tem como expoente máximo a articulação, equilíbrio e conjugação dos itens referidos e ainda destes com os recursos disponíveis (humanos, materiais e financeiros) e com a estrutura e cultura da organização.
Neste exercício, falaremos do outsourcing, que se traduz por outras palavras na transferência das actividades conhecidas como actividades meio, e nunca as actividades fins (produto final), para uma empresa terceirizada, sendo mais focada como parceria, como tradução mais precisa.

1.2.            Metodologia

O caminho optado para a concretização deste trabalho, é a revisão bibliográfica sobre a Planificação e Gestão Estratégica e sobre desempenho organizacional de modo a enriquecer a discussão sobre a competitividade das empresas, somente possível através do recurso ao outsourcing. Neste caso, faremos uma abordagem de uma forma expositiva e argumentativa.

 

1.3.            Objectivos

1.3.1. Geral:

Analisar a Outsourcing Estratégico e Desempenho Organizacional.

  1.3.2. Específicos:        

Discutir as vantagens do outsourcing;
Indicar os processos a que deve ser aplicado o Outsourcing.






2.      Conceito de Outsourcing

De acordo com a enciclopédia multimedial Wikipédia, Outsourcing deriva etimologicamente do inglês, "out" que significa "fora" e "source" ou "sourcing" igual a fonte, para designar a acção que existe por parte de uma organização em obter mão-de-obra de fora da empresa, ou seja, mão-de-obra terceirizada. Está fortemente ligada a ideia de sub-contratação de serviços.
 Outsourcing é uma forma de acrescentar valor a um negócio convertendo um centro de custos interno num serviço externo através da subcontratação, permitindo a libertação de recursos da organização e dos gestores para concentrarem a sua atenção nas áreas de negócio de elevada importância estratégica.
Numa economia actualmente cada vez mais global e tecnologicamente mais exigente, a competitividade e inovação, mais do que condições de desenvolvimento, são os factores determinantes do sucesso das organizações.
Ao procurar o termo outsourcing num dicionário online surge-nos terceirização (Priberam, 2010). No sentido em que algumas funções no contexto de uma organização são realizadas por uma entidade externa em vez de serem cumpridas pelos meios da organização, a definição encontrada está correcta.
Quando surgiu o termo outsourcing, este era confundido com a simples subcontratação, focando-se apenas em actividades de baixo valor acrescentado e afastadas do negócio essencial de cada empresa. Devido ao aumento da competitividade dos mercados, as empresas foram forçadas a concentrar os seus melhores recursos no seu negócio vital. Deste modo eram criadas oportunidades de outsourcing de actividades, funções ou processos tais como: transporte, armazenamento, frotas, funções financeiras, sistemas informáticos, etc. (Cunha, 2007/2008)
Segundo Robert Aalders, “o Outsourcing é uma estratégia que consiste na contratação de fornecedores de serviços eficientes e especializados para tratar de algumas das funções da organização, tornando-se estes fornecedores em parceiros de negócio de valor”. (AALDERS, IT Outsourcing - making it work, s.d., citado em Cunha, 2007/2008:3)
Este serviço é um conceito que se diferencia de outros modelos de negócio. Há um prestador de serviços externo (outsourcer) que substitui os colaboradores do cliente para executar um determinado pacote de funções de negócio na organização. 

3.      Vantagens do Outsourcing

O outsourcing pode ser avaliado de diferentes perspectivas, posto isto pode dizer-se que do ponto de vista estratégico é considerado uma estratégia de negócio eficaz que permite liderar face à concorrência, aumentando a produtividade e rentabilidade.
Do ponto de vista de gestão, o outsourcing usufrui de colaboradores com melhor preparação e conhecimentos o que prevê que o trabalho resultante seja de qualidade superior. Por outro lado, os seus colaboradores ficam mais disponíveis para outros projectos.
Do ponto de vista operacional, este serviço oferece flexibilidade para ajustar os seus colaboradores e as suas actividades/projectos de modo a preservar a sua posição no mercado. Permite também ao detentor deste serviço, manter-se na dianteira do que diz respeito aos avanços tecnológicos em SO (Sistemas Operativos) que estimulam a sua eficiência e capacidade de resposta (Duarte).
Em suma, podemos dizer que as principais vantagens dos outsourcing se traduzem nos seguintes tópicos:
a)      Custos flexíveis (consumos) e previsíveis;
b)      Gestão de Resultados (SLA);
c)       Foco no negócio - mais receitas, menos custos, mais flexibilidade;
d)      Despesa em tecnologia;
e)       Inovação Contínua e alinhamento da tecnologia para melhoria do negócio;
f)        Acesso a novas tecnologias, e a especialistas de IT e negócio;
g)      Contratação de capacidade e resultados;
h)      Melhor rentabilização de recursos;
i)        Custo de oportunidade relativo ao utilizador é muito importante (SILVA Carlos, 2006:15).
O „Outsourcing TI tem vindo a crescer no mundo empresarial e já é aplicado num elevado número de empresas. Os defensores desta estratégia sugerem um conjunto de benefícios apresentados de seguida.

3.1. Focalização na Competência Principal da Empresa

Uma das principais vantagens é o facto de as empresas, passarem a dedicar os seus esforços e a sua atenção nas competências principais da empresa, deixando de se preocupar com as Tecnologias de Informação (TI). Como a TI não é a principal competência da maioria dos negócios, muitas das empresas não sabem gerir eficientemente os seus departamentos de TI.

3.2.            Qualidade de Serviço

O aumento da qualidade do serviço é um facto que se pode atribuir a este tipo serviço. Tudo isso se deve ao facto do outsourcer ter um contrato a cumprir o que o leva a desempenhar um maior esforço de modo a garantir a qualidade no serviço fornecido. Tal já não acontece num ambiente departamental interno.

3.3.            Pessoal de Qualidade e Especializado

A organização prestadora de serviço de outsourcing fornece colaboradores de qualidade e especializados à empresa que requer o serviço.
“A Gartner Group num dos seus artigos adverte sobre pessoal sem educação formal em TI, nem com um mínimo conhecimento de programação, que tem vindo a seguir carreiras em TI” (CUNHA, 2007/2008:7).
Estas pessoas têm falta de conhecimentos na teoria TI e nas suas Best Practices, no entanto, devido ao facto deste departamento não ser a prioridade da empresa e não ter os orçamentos de outros, poderá facilmente empregá-los numa posição para a qual não estão qualificados.
Numa empresa de Outsourcing existem dos mais variados tipos de técnicos especializados em diversas matérias que poderão ser disponibilizados aos seus clientes, “enquanto que num departamento interno seria prejudicial e dispendioso contratar diferentes tipos de técnicos com diferentes especializações para questões que poderiam surgir apenas pontualmente”(CUNHA, 2007/2008:7).

3.4.            Flexibilidade no Número de Colaboradores

Com este serviço existe uma grande flexibilidade no número de trabalhadores. Segundo Griffits “é um dado adquirido que as empresas terminam, usualmente, os seus grandes projectos com um número excessivo de pessoal. Novos postos de trabalho surgem posteriormente ao projecto, de modo a empregar este pessoal, visto ser muito dispendioso para uma empresa o despedimento de pessoal. Esta irá então ter de suportar este custo acrescido bem depois do projecto já ter terminado.” (GRIFFITS, s.d., citado por Cunha, 2007/2008:7)
O outsourcer tem a vantagem de poder ter um conjunto de colaboradores e fazer a sua distribuição de um modo organizado pelos seus clientes, sabendo que quando o seu trabalho for finalizado, estes retornarão e poderão ser enviados a outro cliente.

3.5.            Melhor Controlo da Gestão de Custos

O outsourcing permite controlar melhor a gestão de custos, dado que acarreta um regime mais rígido de gestão de custos, que inclui:
1)      Controlo mais rigoroso das despesas em geral, visto tratar-se de uma empresa externa e com um contrato;
2)      Maior visibilidade sobre o verdadeiro custo das TI. O Outsourcing tende a revelar os custos escondidos das TI.
3)      O pessoal do outsourcer só será utilizado quando necessário, e quando não o for, não será pago. Segundo Anand Barry, gestor de serviços da Fujitsu, “os recursos flexíveis do outsourcer podem fornecer serviços que estão disponíveis quando necessários (por exemplo, quando a empresa se expande ou muda de local) e não custam quando não são necessários”. (BARRY, s.d., citado por Cunha, 2007/2008: 8).
4)      O outsourcer tem de justificar todos os membros da sua equipa de TI, enquanto que num
departamento interno existem sempre colaboradores a mais do que é necessário.

3.6.            Melhoria na Qualidade de Gestão

O outsourcing estimula a melhoria da qualidade de gestão nos departamentos de TI. De acordo Anand Barry, “uma auditoria à maioria dos departamentos de TI iria revelar
que muito poucos definem os serviços a serem fornecidos, e muito menos medem o seu sucesso no fornecimento destes serviços”. (BARRY, s.d., citado em Cunha, 2007/2008:8)
O outsourcing admite uma disciplina na definição e medição de níveis de serviço (SLAs - Service Level Agreement), em que:
Ø  são definidos os serviços a serem disponibilizados;
Ø  são definidas as medidas para esses serviços;
Ø  a informação é coleccionada e reportada;
Ø  a eficiência surge de plataformas de gestão comuns.
Nos departamentos internos de TI, as metodologias formais de gestão estão muitas das vezes ausentes. Robert Aalders sugere que “a verdadeira razão desta rejeição é o facto de estes métodos forçarem as unidades de TI a fazer o seu trabalho apropriadamente, exigir um entendimento das suas complexidades e introduzir um rigor onde actualmente existe anarquia”. (AALDERS, 2007/2008:8-9)
Este serviço incorpora metodologias, rigor e disciplina para a gestão dos serviços TI, normalmente já aplicadas, testadas e normalizadas.

3.7.            A Vantagem Competitiva do Outsourcing


Outsourcing estratégico refere-se a estratégia de transferir atividades internas das empresas para
fornecedores externos com o objetivo de liberar recursos como patrimônio, infra-estrutura e pessoas para que a empresa concentre seus esforços em suas competências essenciais do negócio, ou simplesmente nas atividades que mais dão retorno. Desta fora, admite-se que a empresa canalize seus recursos em iniciativas que demandem vantagem competitiva (Outsourcing Institute e APICS Dictionary).
Esta prática trata a utilização estratégica de recursos externos, baseado em contratos de longo prazo, com empresas comprovadamente eficientes e especializadas, que complementam suas capacidades.
Diz-se que é uma decisão do tipo estratégica haja visto que contempla um plano bem elaborado
buscando considerar, entre os vários critérios de seleção de parceiros, tecnologia utilizada pelo
fornecedor, suas tendências e análises de mercado, abrangendo toda uma grande restruturação da corporação em torno das competências essenciais e de relacionamentos externos, bem mais do que antigas formas simplesmente baseadas em fatores como custo e tamanho do fornecedor.
A evolução do conceito de outsoursing é atualmente um tópico amplamente discutidos, no entanto este termo possui diversos sentidos, e seu conceito contemporâneo é comumente confundido com as tradicionais práticas, amplamente difundidas no país como terceirização ou subcontratação (PIRES, 2000). Para esse pesquisador, o outsourcing vai além desses conceitos na medida que significa uma opção por uma relação de parceria ou cumplicidade resultante de uma decisão estratégica entre dois ou mais membros da cadeia produtiva, sendo tipicamente abrangente e de difícil reversão. Sua maior diferença com os conceitos de terceirização ou subcontratação, está no fato de que nesses o relacionamento é temporário, determinado por contrato de curto prazo, com o significado de apenas um negócio decorrente de uma decisão operacional restrita e reversível, que não impacte diretamente na competitividade dos produtos ou serviços oferecidos pela empresa, de modo a que eles próprios mantenham a competitividade relativamente aos seus concorrentes.

4.      Tipos de Outsourcing

Entre as áreas passíveis de outsourcing destacam-se as seguintes
- Planeamento e estratégia,
 - Financeira, jurídica e administrativa,
- Recursos Humanos,
- Marketing e Vendas,
- Informática e
- Produção e logística (PEREIRA, Vânia M. Paulos, 2010:13).

5.      Processos de negócio melhorados

Os Outsourcers:
- Incentivam o desenvolvimento do orçamento gerido pelo negócio e os gastos de projecto controlados pelo negócio.
- Incentivam também propostas formais de investimento em tecnologias de informação e providenciam a capacidade de controlar a mudança resultante;
- Facilitam a gestão efectiva das TI por parte do negócio, e fornecem informação apropriada e relatórios que garantam que os gastos, o progresso e os assuntos são visíveis e controláveis.

5.1.     O Outsourcer pode ser Despedido
Outra vantagem é o facto de se poder despedir o outsourcer enquanto que um Departamento de TI, em principio, não pode ser todo despedido.
Os clientes podem decidir rescindir o contrato com o outsourcer a qualquer altura, mas um departamento de TI é final, logo não pode ser substituído do mesmo modo que um outsourcer

5.2.            Processos a que deve ser aplicado o Outsourcing

Os processos a que deve ser aplicado o Outsourcing são os processos de importância estratégica baixa para o negócio e simultaneamente de baixo risco. Desta forma, os processos a que o Outsourcing é mais frequentemente aplicado são a contabilidade, o processamento de salários, a consultoria económica e financeira, a consultoria estratégica, os serviços de cobrança, o transporte de mercadorias, a consultoria jurídica, o recrutamento e selecção de pessoal, a formação, a manutenção de equipamentos, os serviços de limpeza, as pesquisas de mercado, a publicidade, entre outros.

5.3.            Outsourcing Estratégico

Uma das variantes do Outsourcing é o Outsourcing Estratégico que corresponde à contratação no exterior de uma ou mais fases da cadeia operacional, tais como o design do produto, a investigação e desenvolvimento, o fabrico de componentes, ou a comercialização dos produtos através do estabelecimento de relações de cooperação (FORRESTER COLLECTION, 2004:14).





6. Conclusão

Chegando ao termo do nosso trabalho de pesquisa que teve como tema: outsourcing estratégico. Nele procuramos incidir sobre do processo outsourcing, isto reflectindo em torno do gestão da estratégia das novas políticas práticas de planificação de recursos nas empresas e por fim sobre a cultura organizacional.
Entretanto, sendo o Outsourcing é uma estratégia que consiste na contratação de fornecedores de serviços eficientes e especializados para tratar de algumas das funções da organização, tornando-se estes fornecedores em parceiros de negócio de valor, ela busca a boa forma de como gerir os bens e serviços numa dada organização, isto para proporcionar um bom ambiente de trabalho e de competetividade dentro desta mesma organização.
Nesta ordem de ideia, Outsourcing proporciona e estímula a boa organização nas tecnologias de informação, isto é, algumas empresas estrategicamente estruturadas, que estão em curto tempo e dinheiro, como editores start-up de software, aplicar multisourcing - usando tanto interno e pessoal prestador de serviços - a fim de acelerar o tempo para o lançamento. Eles contratam uma infinidade de prestadores de serviços de terceirização para lidar com quase todos os aspectos de um novo projecto, desde a concepção do produto, para codificação de software, para testes, a localização, e até mesmo para marketing e vendas.
Deste modo, o sucesso do outsourcing depende de três fatores – em todos os casos -: nível executivo de apoio na organização do cliente para a missão de terceirização; comunicação ampla aos funcionários afetados, e capacidade do cliente para gerenciar seus prestadores de serviços. Os profissionais terceirizados responsáveis ​​pelo trabalho de cliente e fornecedor lados precisa de uma combinação de habilidades em áreas como negociação, comunicação, gestão de projetos, a capacidade de entender os termos e condições dos contratos e acordos de nível de serviço e, acima de tudo, a vontade de ser flexível como um negócio precisa de mudanças.




7. Bibliografia

AALDERS, Outsourcing - making it work, Cunha, 2007/2008.
BARRY, s.d., citado em Cunha, 2007/2008.
DUTRA, J. S. Competências: Conceitos e Instrumentos para a Gestão de Pessoas na Empresa Moderna. São Paulo: Atlas, 2004.
FORRESTER COLLECTION, Offshore Outsourcing: The Complete Guide, Revista de negocios, 07 de September de 2004.
PONTES, B. R. Gestão de Profissionais em Empresas Competitivas: como atrair e reter talentos. São Paulo: LTR, 2001.
PEREIRA, Vânia M. Paulos, Vantagens e/ou Desvantagens do Outsourcing de Testes Aplicacionais para o Cliente, ISCTE – IUL, Instituto Universitário de Lisboa, 2010.
Web:
Biblioteca de Consulta Microsoft® Encarta® 2002. © 1993-2001 Microsoft Corporation. Reservados todos los derechos,  acessado 14-10-2012, 11:20.
Wikipédia, a enciclopédia livre, acessado 25-10-2012, 15:00.

Ética em Hans Jonas




Introdução

O presente trabalho de pesquisa tem como tema “A ética em Hans Jonas.” E enquadra-se dentro do espírito ético contemporâneo, isto é, novo paradigma ético, ou seja, o trabalho Hans Jonas sobre a ética concentra-se nos problemas éticos sociais criados pela tecnologia. Jonas quer sustentar que a sobrevivência humana depende de nossos esforços para cuidar de nosso planeta e seu futuro. Formulou um novo e característico princípio moral supremo: "Atuar de forma que os efeitos de suas ações sejam compatíveis com a permanência de uma vida humana genuína".
Entretanto, a busca pelas bases de uma nova ética, ética da responsabilidade, que é a meta de Hans Jonas. Desda forma com a crise ambiental contemporaneo, devido o uso desmedido da tecnologia, tem provocado o debate sobre a necessidade da adoção de princípios éticos que possam mediar os actos humanos em relação ao meio circudande, assim sendo, na óptica de Hans Jonas surge à exigência ética de responsabilidade.
O objectivo deste trabalho é apresentar resumidamentar o esforço de Hans Jonas para fundar uma ética universal, baseando no seu princípio da responsabilidade, ou seja, analisar como se dá a fundamentação daética da responsabilidade de Hans Jonas a partir de seu livro The Imperative of Responsibility.

Palavras chaves: ética, Hans Jonas, responsabilidade, sustentabilidade e paradigma.







1. Vida e obra de Hans Jonas

Hans Jonas nasceu na cidade de Mönchengladbach, em 10 de maio de 1903, isto na Alemanha, e é de origem judia, teve o período inicial de sua formação humanística na leitura atenta dos profetas hebreus..Estudoufilosofia e teologia em Friburgo, Berlim e Heidelberg, e finalmente se doutorou em Marburg, onde fez estudos sobre Martin Heidegger e Rudolf Bultmann. Lá conheceu Hannah Arendt, quem também estava fazendo doutorado, iniciando uma amizade que duraria o resto de suas vidas.
Em 1933, Heidegger uniu-se ao Partido Nazista, algo que Jonas tomou pessoalmente, já que era de origem judia e sionista. O facto do grande filósofo cometer tal acto político fez Jonas questionar o valor da filosofia.
Deixou a Alemanha e foi para a Inglaterra nesse mesmo ano, e de lá viajou para a Palestina em 1934. Foi enviado à Itália, e até o final da guerra à Alemanha. Assim cumpriu sua promessa de somente retornar à sua terra se fosse como um soldado de um exército vitorioso. Durante a guerra escreveu numerosas cartas, tanto filosóficas como amorosas, a Lore, com quem se casaria em 1943.
Imediatamente após a guerra voltou a Mönchengladbach, para buscar a sua mãe, porém descobriu que ela havia sido enviada à câmaras de gás de Auschwitz. Sabendo disto, rechaçou a idéia de viver outra vez na Alemanha. Retornou à Palestina, e tomou parte na Guerra árabe-israelense de 1948. Apesar disso, sentiu que seu destino não era ser um sionista, mas ensinar filosofia. Jonas deu aulas na Universidade Hebraica de Jerusalém, brevemente, antes de mudar-se para a América do Norte. Em 1950 foi para o Canadá, ensinando na Universidade de Carleton, e de lá mudou-se para Nova York, em 1955, onde viveu o resto de seus dias. Trabalhou para a Nova Escola de Investigações Sociais entre 1955 e 1976, e morreu em 5 de fevereiro de 1993, aos 89 anos[1]
No que diz respeito as obras, é de referir que em 1931 elabora uma tese sobre a gnose no primitivo “Gnosis und spataniker”, isto sob orientação de Martin Heidegger. E em 1966 volta a publicar The Phenomenon of life, Toward a Philosophical Biologia. E 1969 Publica O Princípio da Responsabilidade.

2. O Novo Paradigma ético de Hans Jonas “ética da responsabilidade”

Devido o dilema provocado pelas bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki como o marco inicial do abuso do domínio do homem sobre a natureza causando sua destruição, fez com que Hans Jonas repensasse o novo paradigma ético, numa vertente de responsabilidade (SIQUEIRA, 2005).
Devido uso inadequado da natureza, através do progresso científico, colocando a natureza para o uso humano e passível a ser alterada radicalmente. Nesta ordem de ideia, na concepção Jonas, o Homem passou a manter com a natureza uma relação de responsabilidade, pois ela se encontra sob seu poder. Entratanto;
além da intervençãona natureza extra-humana, é a manipulação do patrimônio genético do ser Humano que poderá introduzir alterações duradouras de imprevisíveis consequências futuras. Conclui dizendo que necessária uma novo paradigma ético que contemple a natureza e não somente a pessoa humana. Esse nono poder humana impõe alterações na própria natureza da ética (SIQUEIRA, 2005, 3).
Deste modo, Hans Jonas tenta responder ao desafio da articulação de uma ética de responsabilidade solidária capaz de servir como orientação para agir humano face ao mundo contemporâneo, ou seja, “agir de tal maneira que os efeitos de tua acção não sejam destruidores da futura possibilidade de vida humana” (JONAS, 1994: 40).
Entretanto, do espírito do “princípio da responsabilidade”, Hans Jonas se propõe a edificar uma ética nova, já que as éticas tradicionais não eram mais capazes de responder aos desafios da modernidade tecnológica. Pois para ele, as questões éticas suscitadas pelo progresso da tecnologia dizem respeito aos efeitos remotos, cumulativos e irreversíveisde sua intervenção sobre a natureza, tendo em conta que eram vistas como insignificantes pelas éticas tradicionais, isto é, “a actuação sobre aos objectos não humanos não constituía uma questão de relevância ética (...) toda ética tradicional é antropocêntrica” (JONAS, 1995: 29). Ou seja, a natureza não era objecto da responsabilidade humana, pois cuidava de si mesma.
Desta forma, em substituição aos antigos imperativos éticos, entre os quais o imperativo Katiano que constitui o modelo exemplar: “age de tal maneira que o princípio de tua acção transforme-se numa lei universal”, mas por vez Jonas propõe um novo imperativo: age de tal maneira que os efeitos de tua acção sejam compatíveis com a permanência de uma vida humana autêntica” ou formulado negativamente“ não ponhas em perigo a continuidade indefinida da humanidade na terra” (SIQUEIRA, 2005: 4). Nesta ordem de ideia, O imperativo proposto por Hans Jonas é de ordem racional para um agir coletivo como um bem público e não individual.
Com seu novo paradigma ético, Hans Jonas tem a intenção de mostrar que os seres vivos devem viver para cumprir com um objetivo, mesmo que seja com ele mesmo. Se o ser humano tem várias finalidades, da mesma forma todos os outros seres têm a sua, mesmo que nos seja desconhecida, devemos respeitar o seu ciclo (Battestin e Ghiggi, 2010: 11).
Assim sendo, a responsabilidade de cada ser humano para consigo mesmo é indissociável daquela que se deve ter em relação a todos os demais. Isto é, trata-se de uma solidariedade que o liga a todos os homens e a natureza que o cerca.
A ética de Hans Jonas, que é a ética da responsabilidade (principalmente resposabilidade com a natureza), traz consigo a necessidade de um sujeito consciente que não é imediatista, não espera resultados a curto prazo. Sua ética busca alertar para a técnica moderna que trabalha tanto sobre a natureza não humana quanto sobre a natureza humana, porém sem refletir. Ele censura o abuso do domínio do homem sobre a natureza causando sua destruição.

2.1. O princípio da responsabilidade

O paradigma ético de Hans Jonas se funda no princípio da responsabilidade, ou seja, Jonas reivindica a necessidade de tomar a ontologia como fundamento da ética, isto indo de encontro à ética grega e medieval e tomando distânciado modelo moderno de fundamentação do juízo moral, estabelecendo uma revisão da ideia de natureza. Seu ponto de partida de sua ética da responsabilidade é estabelecer uma revisão do conceito de natureza. Para o homem pré-técnico (antigo e medieval), a natureza era tomada como algo permanente, submetida a ciclos e mudanças, mas capaz de restabelecer-se das pequenas intervenções causadas pelos homens. Este panorama muda radicalmente com a aparição da ciência moderna e a técnica derivada dela (SILVEIRA, 2010: 3).
Em O Princípio Responsabilidade analisam-se as éticas clássicas e modernas e procura demonstrar-se como estas não consegue lidar com a possibilidade ou com o futuro, mas apenas com a proximidade e com o presente. A partir dessa impossibilidade dos sistemas éticos clássicos e modernos, Jonas propõe sua tese: devemos evitar arriscar a vida humana futura, ou seja, diante dos avanços inevitáveis das tecnologias devemos nos perguntar se temos o direito de arriscar a vida futura da humanidade e do planeta. Jonas conclui que não devemos, embora tenhamos o poder tecnológico e a arrogância política, porque não temos o direito de estabelecer o fim da vida humana e planetária como um princípio ético válido, justificável. A fim de evitar a circularidade em seu raciocínio, Jonas toma como exemplo concreto a atitude dos pais diante da possibilidade da vida de seus filhos, evitando colocar seu futuro como ser humano em risco apesar de o filho ou filha ser apenas uma possibilidade eventualmente não concretizável - o bebê pode não vir a nascer. Esse ponto será retomado durante toda a trajetória teórica de Jonas em suas obras posteriores.
Assim sendo, A ética da responsabilidade, vinculado no princípio da responsabilidade, quer refletir sobre a relação doagente, sua ação e as consequências destas ações, isto é, quer saber qual é a responsabilidade frente às consequências da ação do agente.
Entretanto, O Princípio Responsabilidade, além de ser considerado um princípio ético, proporciona uma perspectiva de diálogo crítico em plena era tecnológica. Jonas entende que, “sob o signo da tecnologia, a ética tem a ver com ações de um alcance causal que carece de precedentes (...). tudo isso coloca a responsabilidade no centro da ética” (JONAS, l995: 16).
Hans Jonas determinou o Princípio Responsabilidade como sendo uma ética em que o mundo animal, vegetal, mineral, biosfera e estratosfera passam a fazer parte da esfera da responsabilidade. A reflexão sobre a incerteza da vida futura é resultante de um equívoco cometido ao isolar o ser humano do restante da natureza (sendo o homem a própria Natureza). Somente uma ética fundamentada na magnitude do ser, poderia ter um significado real e verdadeiro das coisas em si. Para “Ser é necessário existir, e para existir é necessário viver e ter deveres, porém, (...) somente uma ética fundada na amplitude do Ser pode ter significado” (JONAS, 1995:17).




Conclusão

Hans Jonas entende o Bem como pertencente à realidade do Ser, pois lhe é próprio e poderá transformar-se em Dever na medida em que exista uma vontade capaz de transformá-lo em ação. A partir deste entendimento é fundamentada a ética da responsabilidade.
Entretanto, Hans Jonas chega a conclui que ser humano por si só já tem um valor fundamental pela totalidade do seu Ser, tendo uma vantagem em relação aos outros seres pelo fato de poder assumir responsabilidades, podendo assim, garantir seus próprios Fins. É a partir deste momento que surge o arquétipo de toda a responsabilidade do homem, baseada na natureza das coisas, na relação do sujeito e objeto, porém, essa relação ocorre somente com a existência do espaço e do tempo.
Nesta ordem de ideia, o homem não pode construir seu destino baseando numa cega ordem de fenômenos de grande poder de transformação e destituída de valores éticos. E o que vai caracterizar o imperativo de Jonas é sem dúvida a sua orientação para o futuro, pois a sua ética é muito futurista, mais este futuro deve ultrapassa o horizonte fechado no interior do qual o agente transformador poder reparar danos causados por ele ou sofrer a pena por eventuais delitos que ele tenha perpetrado (SIQUEIRA, 2005: 6).
Assim sendo, a responsabilidade inferida por Hans Jonas é portanto, na ética a articulação entre duas realidades, onde uma é subjectiva e outra objectiva. E a ordem ética está presente, não como realidade visível, mas como um apelo previdente que pede calma, prudência e equilíbrio, e é esta ordem que ele dá o nome de Princípio de Responsabilidade.
Hans Jonas critica as éticas tradicionais, julgando-as incompletas. Pois o agir bem da ética tradicional estava condicionado ao outro, no relacionamento do homem com o homem, era o homem até então o principal objeto ético, sendo uma ética antropocêntrica. Todas as éticas tradicionais obedeciam as seguintes premissas: A condição humana, resultante da natureza do homem e das coisas, permanecia fundamentalmente imutável para sempre; Baseado nesse pressuposto, podia-se determinar com clareza e sem dificuldade o bem humano; O alcance da ação humana e de sua conseqüente responsabilidade estava perfeitamente delimitado.
Hans Jonas, porém alerta para que a responsabilidade com a natureza e a preservação não estejam ligadam à ética utilitária. Não devemos preservar a natureza com interesses utilitários. E É preciso haver controle. O saber técnico deve ser acompanhado de um saber previdente. É importante reconhecer o ser e ter o dever. É preciso reconstruir a responsabilidade que é boa por si mesma.

 


Bibliografia

JONAS, Hans. (1995). O Princípio Responsabilidade: ensaio de uma ética para uma
civilização tecnológica. Rio de Janeiro: PUC Rio.
SIQUEIRA, José Eduardo de. (2005).Hans Jonas e a ética da responsabilidade.Artigo da revista acadêmica multidisciplinar.
BATTESTIN, Cláudia; GHIGGI, Gomercindo. (2010).  O princípio responsabilidade de Hans Jonas: um princípio ético para os novos tempos. Revista Thaumazein, Ano III, número 06,
Santa Maria, pp. 69-85.
SILVEIRA, Denis Coitinho. (2010).  Uma análise do princípio de Responsabilidade de Hans Jonas: suas implicações metaéticas. V.17, No2. Ethica


















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